Not all dreams do come true

(English version below)

Há um dia em que decidimos matar alguém em nós. Tomamos uma decisão consciente e bem pensada de eliminar de uma vez por todas aquela pessoa da nossa vida. Para o nosso próprio bem. Bloqueamos qualquer acesso dela a nós, deixamos de falar com ela e fazermos um esforço enorme para parar de pensar nela. A vida continua e ela está do lado de fora, nem mesmo no papel de espectador, porque não há forma nenhuma de testemunhar o que se passa do lado de cá.

Todavia, o subconsciente ganha vontade própria e dá asas à sua imaginação durante a noite. Mesmo quando sabe que está a cometer traição.

Ontem, depois de sonhar em francês (exato, francês! Talvez esteja finalmente a tornar-me bilingue, como sempre quis), sonhei que estava a planear fazer-lhe uma surpresa. Era estúpida, incluía bandeiras e gritos de bom dia e eu já sabia, à partida, o que iria encontrar quando entrasse no quarto dele (que era espetacular: um sótão de madeira clara, com imensa luminosidade, a cama era apenas um colchão no chão com uma cabeceira super gira). Mas fui em frente e encontrei-o com outra outra mulher (sim, não aquela de que eu tenho conhecimento, mas uma terceira, com quem estava a traí-la). Para dizer a verdade, não fiquei zangada nem sequer triste. Ainda assim, ele estava ali deitado, com a cabeça ao nível dos meus pés, indefeso… então peguei nas minhas havaianas novas e bati-lhe. Várias vezes. Na cara.

E foi tão bom e tão libertador!

Tive, então, de fazer as pazes com o meu subconsciente, uma vez que as intenções dele eram as melhores e só queria permitir-me fazer aquilo para que nunca tive coragem: magoá-lo.

Agora já está, obrigada. Podemos voltar a falar francês.

One day, you decide to kill someone in you. You make a conscious and thought decision to delete that person from your life, for good. Literally: forever and for your own good. You block any possible way for him to contact you, you quit talking to him and you make a severe effort to quit thinking about him. Your life goes on and he is on the outside, not even as a spectator, because there is no way for him to testify anything that is going on with you.

Your subconscious, on the other hand, comes alive and frees its own will at night. Even when it means treason.

Last night, after dreaming in French (yeah, French! Maybe I am achieving my deepest dream of being a bilingual person), I dreamt that I was planning a surprise for him. It was stupid, it had flags and kind of good morning screams and I already knew what I would find when I got into his room (which was awesome, by the way: a wooden and full of light loft, the bed was just a mattress on the floor, with a very nice bedside). So I went for it, anyways, and I saw him with another another woman (yeah, not the one I know about, but a third one with whom he was cheating on her). I actually didn’t feel mad or sad. Nevertheless, he was lying there, defenseless… so I picked my new flip-flops and spanked him. Several times. In his face.

It felt so good and so liberating!

So I had to make amends with my subconscious, as he was just allowing me to do what I never could: hurt him.

Now I’m done, thank you. We can go back to speaking French.

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